Adeus Mariazinha RIP

Maria Cão e eu

Chegou o dia da despedida final. Apesar de na semana passada ter dado o ultimo beijinho em vida da Maria e ter ouvido o suspiro do adeus, o dia como o de hoje sinto sempre que é o ultimo o fechar de todo o ciclo de vida dos meus animais.

Infelizmente a Mariazinha foi o 5º animal que perdemos nos últimos 4 a 5 anos. Ao encontro dela irá ter a Pantera, o Pirada, a Taxinha e a gatinha Tisha que tenho a certeza que a receberão com todo o amor e carinho.
Hoje é o dia da libertação das almas e do descanso eterno. Iremos cremar a minha querida assim como fizemos com os últimos 3. Vamos a um sitio mágico que talvez por ser o que é e já ter recebido a alma de milhares animais assim como as lágrimas dos seus donos torna-se especial e um conforto para quem lá vai por uma ultima vez.
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No final recebemos uma caixinha que irei juntar às outras que tenho no meu quarto. Os amigos voltam a ficar juntos e eu sinto que ficam sempre perto de mim. São as minhas estrelinhas no céu, os meus anjinhos e às minhas caixinhas na terra.
A Maria fez-nos muito feliz por mais de 15 anos. Foi uma cadelinha muito fiel e que tentou nunca dar trabalho, mas a sua cerimonia acabava por nos atrasar mais ainda.
O nome Maria Cão vem de Maria Rapaz. Era tal qual o nome, perseguia os carros, corria atrás dos pneus, não tinha medo de uma bela discussão e era pouco feminina :). O nome assentava-lhe como uma luva. Mas quando se deitava cruzava as pernas e nunca deixou de ser uma senhora, apesar de fazer xixi à homem de perna alçada.
Quando apareceu tinha uma infecção mamária gigante, as maminhas pareciam sacos de berlindes. Tomamos conta dela e tratamos de tudo. Era uma menina super traumatizada que devia ter sido muito maltratada, não levantava a cabeça, não brincava, não fazia upa…a humildade dela era dolorosa. Mas a coisa foi-se resolvendo tenho a sorte de trabalhar num local familiar e onde toda a gente adora animais e os que não gostaram rápidamente foram-se embora (era fácil saber se eram boas pessoas, pela reacção dos cães. Quando os cães não gostam de uma pessoa há que tentar perceber porquê). Quando recuperou e já se sentia mais à vontade e já dominava as mediações de Carnaxide a Queluz de Baixo, era famosa por onde passava a sua melhor amiga era uma Rafeira Alentejana – a Violeta, que parecia um cavalo. As duas andavam de um lado para o outro e apesar dos tamanhos e do ar agressivo eram umas palermas, lol, mal chegam perto de uma pessoa davam a barriga. A doçura das duas amigas era uma doçura de ver.
Um dia a MC (como o vet a chamava) desapareceu, no dia seguinte a eu ter recebido um telefonema estranho de alguém que tinha encontrado a chapinha dela e que fazia questão de nos ir entregar e queria saber a morada. 6 meses, depois de termos colocados todas as hipóteses sobre o desaparecimento da Maria, alguém gritou a “Maria”! Estava ela deitada na cancela a uns 100 metros da empresa. Não conseguia dar nem mais um passo, estava em felicidade total, ela queria falar-nos mas estava tão ansiosa que ficou deitada a sorrir enquanto toda a empresa fazia-lhe festa e chorávamos de felicidade. A Maria estava de volta em pouco tempo estava a viver em minha casa graças a um fim-de-semana em que as temperaturas chegaram aos 40º. Era só o fim-de-semana e ficou até à semana passada.
Com o tempo foi ficando mais animada, mais confiante, já fazia upas e adorava trazer presentes da rua quando estava muito feliz, um maço de tabaco, beatas, etc, a escolha não era muito famosa mas muito engraçada.
Felizmente nunca deu muito trabalho, mas voltamos a ter alguns sustos. Quando o meu pai atropelou-a porque estava a dormir debaixo do carro dele e correu sem olhar para trás e durante 1 semana esteve desaparecida. Acho que foi das 1ªas imagens que coloquei no facebook foi a pedir ajuda para encontrar a Maria Cão. Ou os ataques de pânico que a faziam tremer como varas verdes e começar a subir por mim a cima, note-se que a Maria não era propriamente pequena :P. Ou o olho que deitava uma lágrima escura desde o dia em que foi atacada por outro cão. O resto foi normal e problemas que todos os cães têm.
Mas tirando isso correu muito a sua vidinha dormiu bem e segura, aturou muita coisa minha, comeu tudo o que quis, aprendeu que não se matam gatos mas que se aprende a viver com eles. Foi a babacão da Taxinha da Magie e muito companheira e amiga de toda a familia e funcionários da empresa.
A Maria Cão faz parte da estrutura interna de cada um de nós e foi um funcionário exemplar nunca faltando às suas obrigações
Beijinhos minha querida continuarás sempre ao meu lado, prometo-te
Sofia
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