Os intas e as quase entas

Cresci numa sociedade cheias de certezas.
Em miúdos tínhamos a certeza que quando crescêssemos iríamos ser princesas, bailarinas, cabeleireiras, bombeiros, policias médicos.
Há medida que íamos ficando mais velhos, nas escolhas do liceu, as nossas opções, demasiado cedas na minha opinião para serem tomadas pois iriam definir o nosso futuro, afastavam-nos dos nossos sonhos de crianças e íamos ficando com novas certezas. As raparigas achavam que iam casar pelos 20 e os rapazes que iam ter o carro mais rápido de todos.
No meu caso isso era certo, o meu futuro era claro, casava aos 20, aos 22 começava a ter filhos, ira ser empresária e teria muito sucesso. lol. Só dá mesmo para rir, porque ainda nada do que desejei acabou por acontecer. Continuo solteira, sem filhos, apenas com um blog e com um pseudo-sucesso. Bem, rica então só mesmo como pessoa.
Outra das coisas que tínhamos a certeza é que no que diz respeito a relacionamentos as mulheres gostavam, namoravam e casavam sempre com homens mais velhos. O contrário era muito raro acontecer.
Mas nos homens mais novos havia sempre o fascínio pelas mulheres dos 30. Tinham a fama de estar no seu auge em todos os sentidos e que eram muito especiais. Mas eram mitos urbanos que poucos conseguiam comprovar, até porque para uma mulher dos 30 não era fascínio um rapaz dos 20, era inexperiente e pouco interessante. As mulheres sempre foram mulheres, podem gostar de se envolver mas precisam sempre de uma boa conversa.
Lembro-me que quando fiz 30 parecia uma miúda muito novinha, chegavam-me a da 23, nessa altura ainda me vestida de uma forma muito descontraída e infantil. Mas mesmo assim, quando os miúdos descobriam a minha verdadeira idade os seus olhos brilhavam e suspiravam, “ahhh tens 30……” e as suas cabecinhas deviam logo começar a imaginar coisas..era divertido, mas ficava tudo por ali, até porque eu gostava de homens mais velhos.
Agora que me aproximo dos 40 e o mesmo acontece às minhas amigas, a muitas delas pelo menos, os miúdos deixaram-se de historias e começaram a atacar com força. Deixaram-se de inseguranças e sabem muito bem o que querem. Adoram uma boa trintona e nem se importam que estejam a sair dos intas e quase, quase, quase a entrar nos entas. Passou tudo a ser um desafio. Dizem “eu quero e vou ter” e nem querem saber se temos quase a idade das mães deles até acham graça. Para além disso os seus engates são bem mais divertidos e sexy’s e tratam as quase entas muitoooooooooo bem, com o respeito que merecemos porque somos mulheres, mais velhas e mais experientes.
Mas não só foram eles que mudaram mas aparentemente os nossos gostos também, porque falo com algum conhecimento que as quase entas têm gostado muito das cantadas dos recentes intas. Têm lábia, segurança, são giros e normalmente têm corpos fantásticos. Mesmo que não tenham a informação e experiência suficiente para se tornarem namorados, são perfeitos para umas facadinhas e umas massagens no ego. Sim porque neste momento, nesta fase da vida em que já sabemos o que queremos, o que não queremos mas que não fazemos a mínima ideia do que será de nós, não são apenas os rapazes que nos têm como troféus, mas as mulheres mais velhas também gostam de anotar para no seu ranking interior que estiveram com um menino de vinte e poucos e que até foi bom, para não dizer que em alguns casos foi fantástico :).
Tudo sem maldades e malicias, muito divertido e descontraído é assim com os intas e poucos e as intas maduras se dão.
Beijinhos grandes e aproveitem aos máximo
Sofia

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